CU É LINDO, CAPÍTULO 2: PONTO G – ROUBOS, TRAPAÇAS E PRIVATIZAÇÕES, VERSÍCULO 2: CUNONIZADOR

Ativismo, CU É LINDO, Cura Gay, Ponto G

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Ação Realizada durante o II Festival Multigênero de Arte – Bem Me Kuir | UERJ | Por Kleper Scarambone | Setembro de 2015

CU É LINDO | EM DEFESA DE TODAS AS FAMÍLIAS

Ativismo
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CU É LINDO, CAPÍTULO 6: ATIVISMO, VERSÍCULO 2: EM DEFESA DE TODAS AS FAMÍLIAS

Em 24 de Setembro de 2015, foi aprovado o texto principal do projeto do Estatuto da Família pela comissão especial que o discute na câmara dos Deputados, a comissão aprovou o relatório por 17 votos favoráveis e 5 contrários. Neste texto é afirmada a noção que define família como a união entre homem e mulher.

União entre homem e mulher?

A diversidade cultural, a liberdade afetiva e a expressão dos saberes tradicionais foram mais uma vez atacadas covardemente pelo poder dos discursos hegemônicos com fortes tendências fascistas e teocráticas ou, ainda, a relação afetiva e inconstitucional da política nacional com o fundamentalismo religioso, também celebrado por ruralistas e pistoleiros.

Ocupam-se em disseminar a ideologia da exclusão e do genocídio amoroso promovendo uma guerra no qual a cultura do ódio, o gênero e a sexualidade ocupam um lugar central em seus movimentos internos e externos.

Neste momento, não me parece plausível considerar tal façanha, deste minúsculo-gigante exército sanguinário e colonizador do estar em vida, sem falar também de algumas de suas outras grandes façanhas: o extermínio dos povos negros, indígenas e dos pobres e a utilização do terrorismo e da coerção do Estado para retirar a potência da autodeterminação dos povos.

Tal noção de família evidência o assombro egoísmo da profunda relação da ação colonial, do universalismo científico, da perversão religiosa e da corrupção estatal.

Os sinalizadores das diferenças e desigualdades pontuam um estado de calamidade pública onde todos, sem exceção, estão mergulhados numa tragédia coletiva.

Onde está o Adriano Cor? Onde está o Herinaldo Vinicius Santana? Onde está Semião Fernandes Vilhalva do povo guarani-kaiowá?

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Projeto CU É LINDO

Cura Gay
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Rio de Janeiro | 07 de Setembro de 2012 | CU É LINDO, CAPÍTULO 3: A CURA GAY, VERSÍCULO 2: O HASTEAMENTO DA BANDEIRA OU VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE A LUTA! | Foto: Ângela Bonolo

O processo criativo “CU É LINDO” foi iniciado em 2011 a partir das reflexões surgidas durante a realização da “Trilogia Venha Me Amar” (2008/2011). Bem como da potência da impossibilidade de deixar de falar sobre a abjeção do Cu, do silêncio histórico da homofobia, da moral social, do fundamentalismo religioso e da ocupação das ruas através da linguagem da performance e da pichação enquanto arte política e curativa.

No início de 2012, o projeto “CU É LINDO” ganhou as ruas na proposição da série de grafismos urbanos intitulada “Sentimentalidades Rupestres”. Nesta via de sentidos, a pichação “CU É LINDO” principiou por se tratar do nome do projeto e do foco do debate que estava sendo proposto à sociedade. Como fundamento desta ação e força de legitimidade enquanto arte e veículo de comunicação político/artístico lembramos da arte rupestre. Desde sempre, as paredes, muros e pedras foram suporte de expressão de sentimentos, registro histórico e comunicação. Assim, todos nós, semelhantes e descendentes desta mesma espécie, partilhamos desta memória social, artística e política. Ao longo dos milênios, vimos esta pratica ganhar vários contornos desde os egípcios, os povos pré-colombianos e, nos dias atuais, a pichação.

A pichação “CU É LINDO” fez enorme sucesso vindo a ganhar admiradores e parceiros de luta. Foi o surgimento dos multiplicadores, pessoas que espontaneamente começaram a replicar a pichação em questão, sendo para mim motivo de forte alegria e comemoração. Exceto alguns, que de forma extremamente capital tentaram privatizar os meus processos criativos, memórias afetivas e ideias teóricas. Também é imprescindível frisar que este processo criativo teve inúmeros afetos criativos e políticos, meus queridxs amigxs, que sem eles certamente nada teria acontecido. São muitos! Neste aspecto, desenvolvo uma estratégia de produção ao qual chamo de Mutirão Infantaria Amorosa, uma realizadora de projetos e sonhos.

Paralelamente a estes movimentos, também comecei a propor acontecimentos performáticos no espaço da cidade pondo em xeque a moral vigente. Neste momento, foi iniciada a serie performática “CU É LINDO”. Tais acontecimentos tem como centro do debate o Cu nas relações da cultura do ódio aos corpos dissidentes de sexo e de gênero, do fundamentalismo religioso, da negligência e exclusão do estado brasileiro e do tabu do Cu. Percebo, no meu desenvolvimento histórico, que a abjeção ao Cu está diretamente ligada a expressão da afetividade e ao exercício do erótico da homossexualidade.

Por fim, “CU É LINDO” é um projeto multiartístico em tecnicolor que revela meu processo de cura das violências e espancamentos que sofri ao longo de minha vida e uma homenagem aos sobreviventes e à memória dos que foram assassinados pela Homofobia, Lesbofobia e Transfobia.

A cultura do ódio aos corpos dissidentes de sexo e de gênero, o fundamentalismo religioso, a negligência e a exclusão do estado brasileiro e o tabu do Cu MATAM, mas também fazem nascer profundos valores criativos!

Uma ode ao amor!

CU É LINDO no II Seminário Desfazendo o Gênero

Desfazendo o Gênero
cu é lindo grupão

CU É LINDO, CAPÍTULO 3: A CURA GAY, VERSÍCULO 10: CULETIVO | Salvador | 2015 | Foto: Susy Shock

A visibilidade do Cu floresce naturalmente bela. É lindo!

Voltar a salvador após 5 anos foi uma vivência fantástica. Ainda mais por se tratar de um momento muito especial: apresentar o projeto “CU É LINDO” na cidade que me ensinou muito sobre arte e vida. Foi em salvador que aprendi a dobrar a esquina e a tocar em meu Cu sem vergonha. Foi lá, nesta terra, que o processo do “CU É LINDO” iniciou, quando conheci Adélia Prado e fiz a oficina de Bufonaria do Sérgio Bustamante, o Palhaço Bicudo, lá pelos anos de 2004, mais ou menos.

Foi simplesmente incrível realizar esta ação! Fazia muito tempo que desejava conseguir fazer esta foto, o “CU É LINDO” CUletivol!!! Um lindo movimento performático. Sinceros agradecimentos a Diana Junyent por tornar este sonho uma realidade! Aos meus grandes e queridos irmãos: Matheus, Pêdra, Cíntia, Gilda, Elton Panamby, Bruno, Guilherme, Camila, Nathalia e mais um monte de queridxs!!! Vocês são phoda!!!

“CU É LINDO” é um projeto multiartístico em tecnicolor que revela meu processo de cura das violências e espancamentos que sofri ao longo de minha vida e uma homenagem aos sobreviventes e à memória dos que foram assassinados pela Homofobia, Lesbofobia e Transfobia.

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Ação realizada durante a oficina  de pornoterrorismo oferecida por

Diana Junyent (http://pornoterrorismo.com/).