MBL e a exposição do “Cú é Lindo”

CU É LINDO, Texto

Texto Rafael Siqueira de Guimarães

“Entraram na exposição “Cú é lindo”, de Kleper Reis, no Instituto Goethe, em Salvador, e fizeram imagens em vídeo. Mais uma vez isso esta acontecendo. Estava expressamente proibido na entrada, assim como a indicação de idade, 18 anos. Isto foi parar num programa de péssima qualidade. O MBL foi à porta da exposição, fez com que o Goethe a fechasse por um dia. Isso tem nome, ódio.

O trabalho artístico, organizado cuidadosamente pelo próprio autor, é exatamente sobre isso. Sobre uma vida que envolveu espancamentos, agressões midiáticas, plágio, sobre muitos anos de uma vida criando obras. Trata-se de um projeto de CUra. Sobre como, desde criança, a dissidência sexual de Kleper fazia parte de sua vida. O artista já é um exilado há muito tempo, seu deslocamento pelo Brasil tem, em muitas medidas, a ver com sua obra – e sua vida.

A exposição é sobre o amor. Um amor que insiste, nesses tempos odiosos, em permanecer vivo. Ele sabe disso, passou por exclusões no Rio de Janeiro, já houve todo um movimento midiático em Salvador, por conta de sua oficina no Desfazendo Gênero, em 2015. Ele continua. Continua porque acredita que a cura está no mesmo lugar, no modo como podemos reelaborar, no corpo, criando outras imagens, a abjeção às dissidências. E não tem nada de ingênuo nisso, pelo contrário. É uma crença.

Desde as imagens de ficar desenhando no canto da parede, porque sair de casa lhe era impossível, graças ao medo, até a prática de yoga que o artista incorpora para criar outros mundos possíveis, outras imagens. Amorosas, alegres, curativas. É um itinerário de fortalecimento. É muito generoso da parte dele compartilhar conosco, que também somos dissidentes, o seu processo. Me toca muito, me faz pensar sobre como não estamos livres de revivermos nossos traumas todos os dias de nossa r-existência. De como podem haver modos muitos de elaborarmos isso. De trocar. De produzirmos alegrias.”

Acesse o link e veja a matéria completa:

http://justificando.cartacapital.com.br/2018/07/24/mbl-e-a-exposicao-do-cu-e-lindo/

A exposição “CU É LINDO”, do Kleper Reis, fica em cartaz até o dia 11 de agosto na MOSTRA DEVIRES, segunda a sexta, de 9h às 19h, e sábado, de 9h às 13h. Vai lá conferir!

‘Cu é lindo me faz sair do pecado’, diz autor de polêmica exposição

Entrevista

Entrevista concedida a jornalista Naiana Ribeiro do Correio Da Bahia:

A exposição “Cu é lindo”, assinada por Kleper Reis, é destaque dentro da mostra “Devires”, projeto artístico que propõe um exercício de desnaturalização das relações entre sexo, gênero, visualidade, raça e poder.  Em sua primeira edição, a mostra teve início no dia 12 de julho e segue com diversas atividades em Salvador até o dia 12 de agosto, das 9h às 19h, com entrada gratuita e com classificação de 18 anos. Desde o último final de semana aumentaram as críticas sobre a exposição e o espaço chegou a ser fechado. O Me Salte visitou a exposição e também conversou com o artista que explicou seus processos e procedimentos.

 

Veja entrevista completa: 

Como surgiu a exposição?
A ideia de uma exposição contando minhas histórias afetivas surgiu há muitos anos. Ela nasceu em meados de 2006. Neste período, eu já estava realizando performances, estava iniciando, e tinha uma projeto chamado “Incômodos: fragmentos reunidos de platão a mim!” (platão é em minúsculo mesmo. O minúsculo tinha valor simbólico para mim descolonial, queria questionar isso também).

Nesta passagem de minha vida na arte, eu morava em Salvador. Eu sentia uma forte necessidade de falar, mas para mim ainda era muito difícil. Tanto no processo pessoal da capacidade de acreditar em mim e ter valentia, como na possibilidade de ter espaço, reconhecimento e recursos disponibilizados para realizar este trabalho. Esta força criativa foi se desdobrando, pulsando e re-existindo até nascer aqui na Mostra Devires.

Vi que foi resultado de uma jornada de sete anos. Por que demorou tanto tempo?
Na verdade verdadeira, tem mais de 10 anos, mas seria difícil demais explicar, por isso sete anos. “CU É LINDO” é um processo de artecura inacabado, ainda não chegou ao final. A exposição não está finalizada. Faz parte de um tríptico de três trilogias em três movimentos que por medo não irei mencionar ainda publicamente o nome.

Estou me curando e esta dimensão não se desenvolve no tempo capital da produtividade ou na necessidade egoica e mesquinha de disputar espaços e narrativas, me distancio radicalmente disso. Meu trabalho de CUranderio de mim, de artesão, de agricultor e de artista vive em outro tempo, o acolhimento e o cuidado são as molas mais importantes.

O que acontece comigo é muito importante e valorizado, bem como as relações com a vida vivida, as minhas comunidades e as práticas políticas. Também tem o tempo da inflamação do coração, das noites selvagens e dos atentados contra mim. Importante dizer que, durante todo este tempo, a falta de acolhimento, seja na oportunidade de espaço para realizar o trabalho, como de apoio financeiro para realizar meus processos artísticos, foi fator importante neste processo. Leio estas faltas como dimensão da censura que sempre senti na pele durante toda a minha trajetória artística.

Sou um corpo homossexual, silencioso, descendente dos povos originários desta terra, com sotaque nordestino, sempre estive em uma fronteira de invisibilidade e desprezo.

Eucorpo sempre foi lido de diversas formas e usado e jogado no esquecimento, assim sinto, difícil traduzir. Devo ser cuidadoso nesta revelação de minhas intimidades. Durante estes anos, poucos espaços se abriram para mim. “CU É LINDO” é um processo que sofreu muitas interrupções. Iniciei minha pesquisa sobre o cu em 2011 e, no final deste mesmo ano, o assombro da violência e a força das memórias afetivas fez nascer a imagem simbólica “CU É LINDO”.

No início de 2012, sofri uma violência brutal, eu e três amigos, neste momento eu ainda estava forte e resisti bem. Força que me fez realizar no dia 7 de setembro de 2012 uma performance pertencente a este processo chama de CU É LINDO, CAPÍTULO 3: A CURA GAY, VERSÍCULO 14: O HASTEAMENTO DA BANDEIRA OU VERÁS QUE UM FILHO SEU NÃO FOGE À LUTA. Depois deste trabalho, sofri nova agressão que me devastou e entrei em isolamento interior. É difícil traduzir esta passagem de minha vida ainda. Depois disso, criei uma série de imagens e performances que, na sua grande maioria, encontram-se não realizadas, não tenho recursos e nem espaço disponível para atuar. Meu trabalho se desenvolveu, salvo raros momento, na rua. A rua era o único lugar possível, hoje nem mais a rua é uma possibilidade, sinto muito medo. Depois disso, só voltei a me apresentar uma vez no ano de 2013 e depois só em 2015.

Foi um momento difícil. Perdi-me de mim. Esqueci quem eu era. Neguei muitas coisas, pois me transformei em um outro partido e estranho a mim mesmo. Neste período de adoecimentos, muitas tristezas aconteceram e situações que me devastaram ainda mais. Fiquei em estado de calamidade e quase morri, aliás, morri de verdade. A morte simbólica como rito de passagem. Perdi minha organização interior e minha consciência foi tomada pelos fantasmas. Neste período, também fui saqueado artisticamente. Pessoas se sentiram no direito de se apropriar do meu trabalho e me jogar no esquecimento. Foram várias pessoas. Isso me matou mais uma vez.

Eu estava terrivelmente destruído. Graças à força de meu marido e de alguns amigues e afetos criativos e políticos, ainda consegui resistir e aparecer no II Seminário Internacional Desfazendo Gênero\UFBA\BA\2015 e no BEM ME CUIR\UERJ\RJ\2015. Momento que foi uma glória e um inferno. Depois do Desfazendo, fui perseguido e ameaçado e entrei novamente em isolamento. Em 2017, participei de uma exposição coletiva Os corpos são as obras\Despina\RJ\2017. Depois desta aparição, acontecimentos terríveis voltaram a acontecer, não quero ainda falar sobre isso. A vida é muito delicada.

Qual mensagem você quer passar com ela?
Desejo um outro mundo, uma outra forma de se relacionar com as pessoas, de ser reconhecido e de reconhecer. Quero pode falar sem medo de ser destruído, de ser roubado, de ser mal-entendido. Quero perdoar e ser perdoado. Quero fortalecer amizades e construir novas alianças para edificar um novo tempo nesta vida, o balanço necessário para a metamorfose que constrói o novo. Quero voltar a viver sem medo. Quero poder ser quem eu sou sem medo de ser censurado e\ou constrangido. Quero que parem de me ameaçar. Quero recuperar o que perdi de mim. Quero não ter mais vergonha de mim. Quero que meu processo artístico seja reconhecido, porque até hoje tenho que provar que sou artista.

Por que isso? Por quê? Quais são os recortes que precisamos fazer para compreender uma vida que tenta desesperadamente sobreviver e se realizar. Quero ressuscitar. Minha mensagem é de ressureição. “CU É LINDO” ME FAZ SAIR DO PECADO. PORQUE SE PECAR É ANDAR NO CAMINHO ERRADO, NÃO AMAR “OS HOMENS” É MEU MAIOR PECADO. NÃO LIBERTAR MINHA FEMINILIDADE É ESTAR NO PECADO.

A religião cristã em muitas dimensões sempre me obrigou a andar no caminho errado, ela sempre foi a manifestação da tentação do pecado de me fazer negar o que existe de mais profundo, lindo e verdadeiro em mim. KLEPER É LINDO. AFETO HOMOSSEXUAL É LINDO. TRANSEXUAIS SÃO LINDAS. LÉSBICAS SÃO LINDAS. A ÁFRICA E TODOS OS SEUS POVOS E RELIGIOSIDADE SÃO LINDOS. O XAMANISMO É LINDO. OS POVOS INDÍGENAS SÃO LINDOS… É UMA LISTA DE AFETOS GIGANTE QUE A CULTURA DO ÓDIO TENTA EXTERMINAR. “CU É LINDO” é a prova de minha inocência. Parem de nos matar!

Qual sua posição em relação aos posicionamentos do MBL (vi que estão criticando o fato de ser financiada por dinheiro público e fazendo uma série de acusações)?
Não desejo falar sobre eles. Não devo explicações a eles! O fascismo é uma força que vai contra a vida, é uma força assassina que retira o direito à vida e à existência. Olha o que está acontecendo com a Renata Carvalho, essa grande artista, ela, sua criação artística, está sendo censurada! Olha o que aconteceu com a Marielle Franco e com a Matheusa Passareli. Olhemos para o mapa da violência no Brasil! O fascismo é a força que usa das estratégias mais odientas e mentirosas para se sustentar. Tenho medo.

Quanto ao financiamento, é importante falar que a Mostra Devires é realizada por uma equipe de profissionais da mais alta competência e responsabilidade. Pessoas fortes e lindas que têm a minha mais profunda admiração e respeito. Nossa… fico emocionado de falar sobre a Giro, as curadoras e o Goethe. Elas e eles são algo intraduzível, dados o respeito e cuidado que tiveram por mim e por Devires, e por meu processo de cura e criação.

O Goethe e sua história e o atual diretor também são de uma força e acolhimento intraduzível. Máximo respeito, máximo apoio. No meu maior eco de expressão, grito GRATIDÃO, AMO VOCÊS!!! Não me sinto só. Nós temos todo o direito de ter acesso a este recurso do Estado da Bahia e do Estado Brasileiro!

A Mostra Devires ganhou este prêmio e todos nós trabalhadores deste processo recebemos cada um uma parte deste recurso para desenvolver seus processos de trabalho e criação. Somos muitos! É mentira afirmar que a Exposição “CU É LINDO” recebeu sozinha o que estão dizendo que recebeu.

O que me cabe neste orçamento é 0,7% do orçamento total. Estas pessoas que falam sobre a exposição e questionam os recursos estão inventando mentiras, porque de fato não existe nada possível de ser questionado. Eles fazem calúnia e difamação! Eles é que são os criminosos.

Em tempos de ondas conservadoras, qual a importância da Expo continuar em cartaz?
A exposição “CU É LINDO” traduz e condensa algumas dimensões do espírito de luta de nosso tempo. As forças fundamentais de continuarmos vivos porque nós existimos e temos o direito de existir nas mais amplas e vibrantes manifestações de estar no mundo. “CU É LINDO” nasce do desejo de cura e liberdade criativa e se desabrocha no espaço da intercessão que celebra a vitalidade que fortifica a potência, que todos possam existir de acordo com suas orientações interiores, singularidades. É uma ode à cultura da vida, do direito à vida e da dignidade da pessoa humana.

É um grande culto da fertilidade. É a energia de Pu’iito, Makunaima, Omolu, Iemanjá, Sankofa, Kundalini Shakti, Tantra Yoga, Kali e Hanuman. É um libelo em favor da vida. Falo em nome próprio e percebo que muitos sofrem de questões muito parecidas ou iguais às minhas. Cabe ao Estado Brasileiro fomentar e proteger as mais diversas e plurais manifestações da sociedade. É importante para mostrar que o Brasil luta por todos os seus filhos. O Brasil é um país que tem uma diversidade de culturas e línguas e isso deve ser respeitado, valorizado e fomentado.

Por que vc acha que o ânus/cu é tão tabu na nossa sociedade?
O Cu situa-se na região do Muladhara Chakra. É o Chakra raiz. Básico! O Brasil tem um forte problema de base, problema estrutural, e não consegue reconhecer plenamente isso. O Brasil é um país que mata desde seu primeiro sopro de vida! Brasil? Às vezes falar Brasil me soa estranho. Essa terra não se chama Brasil. Nossa raiz é uma história de sangue, de saques, de um grande genocídio material e imaterial.

O processo de colonização está matando até hoje e roubando. Os povos indígenas continuam sendo roubados e assassinados. São 500 e tantos anos de crimes impunes. O homem branco colonizador segue seus crimes impunemente e na certeza da impunidade. O tabu do Cu atravessa isso. Falamos de problemas e crimes que se iniciam na invasão destas terras! Falamos de feridas que continuam sangrando.

Em marcas e traumas que ainda não estão nem perto próximos de serem curados. Trabalho com a imagens simbólica do CU como sendo: CU É LINDO, CAPÍTULO 1: GENÊSIS, VERSÍCULO 3: O INTÓCAVEL. Minha formação em Yoga me permitiu acessar a cultura indiana e sua história. Me identifiquei com os intocáveis. É difícil ser um pária. É importante ter a dimensão e respeitar a luta e as possibilidades de sobrevivência desta população que vive na Índia. Minha pesquisa é afetiva e fundada nas minhas experiências de vida e conjunto de significações.

O cu é um pária. Nós, “as minorias”, os invisíveis e os intocáveis nas mais diversas manifestações e dimensões de sofrimento e luta, temos nossa história marcada pela impossibilidade de existir plenamente, de exercer a liberdade de transitar socialmente, de morrer feito nada e de sentir medo cotidianamente. Nós continuamos sendo assassinades. O Cu como símbolo de transformação apresenta uma gama grande de significados, logo o tabu do Cu, também.

Outro importante fato a ser mencionado é que quando saí de casa e fui morar em outra cidade, Salvador, para me assumir e viver mais próximo de mim, viver minha sexualidade plenamente, encontrei a poesia “Objeto de amor”, lá pelos anos de 2003. Ninguém tem noção da força deste acontecimento. Era um momento difícil, mas foi em um dia, quando comprei um livro de poesias reunidas da Adélia Prado, que, pela primeira vez em minha vida, ouvi uma narrativa positiva sobre o Cu. Sobre esta parte de mim tão querida e desejada.

Sobre esta dimensão de mim tão interditada e impossível. A cultura patriarcal, machismo, em alguma dimensão associa o cu à vagina, assim toda a atividade sexual do Cu deve ser abjetada. Onde quer que a mulher apareça ela é massacrada e menosprezada, e se for uma mulher preta pior ainda. São muitas densidades de observação e reflexão. Nunca tive a oportunidade de agradecer a Adélia por isso. Foi mais importante do que todos os anos de terapia que fiz. Gratidão, Adélia, você ajudou demais no meu processo de aceitação de mim mesmo. Você é parte fundamental deste processo de cura! asé

A exposição é bem pessoal e vi que você sofreu muitas violências; acha que a exposição faz parte do seu processo de cura?
A exposição sou eu. É uma expansão de mim. A exposição é a revelação de meu processo de cura. Sem esse processo, certamente eu estaria morto. Esse trabalho me salva de mim mesmo, me desacata, me sopra a vida futura. Ela me embriaga de vida. Quando os fantasmas me invadem e me fazem de refém, é ela que me salva, me liberta. Trabalhar com as imagens sem moralismo me cura. Sem esse trabalho artístico, eu já teria feito algo trágico, já tentei, estou aqui, ainda, existindo e resistindo e re-existindo. “CU É LINDO” É O SIMBOLO DA CURA GAY. DA MINHA CURA. E CONTINUARÁ SENDO POR MUITO TEMPO AINDA. É TRABALHO INACABADO.

Uma das fotos que mais me marcou foi a da espada. Qual a mensagem dela? Tem algo a ver com virilidade?
Ela nasceu de um sonho em vida. De um desses momentos de luta pela realidade, pela consciência. É um símbolo que me aponta caminhos para a minha reorganização e reconhecimento das origens e voltar a falar a linguagem das pessoas humanas. É difícil traduzir. Sou um tradutor com características de inventor, manifesto na imagem de Deus, o todo poderoso criador de minha existência. Sou um Deus capaz de ser o contador de minha história de vida, de recriar os mitos da criação e de criar minha vida, autopoiese. Ela é a imagem simbólica: CU É LINDO, CAPÍTULO 3: A CURA GAY, VERSÍCULO 3: BASTIÃO A HISTÓRIA DE UM CABRA DA PESTE.

Ela é a origem de tudo: é a manifestação simbólica de meu pecado original, a origem de minhas dores e sofrimento, ter nascido homem e ter sido designado pela sociedade e igreja cristã a cumprir o papel de homem. É a minha raiz nordestina e a imagem desse cabra da peste com o facão na mão. É a luta pela sobrevivência de minha família e sua história de fome e pobreza. Ela também é a visualidade da Santíssima Trindade ou dos Três Movimentos – Criação, Conservação e Destruição. Os três movimentos são uma força poética-teórica-autopoiética que trabalho há muito anos.

Publicamente, manifestei esta elaboração de mim pela primeira vez em 2009, quando apresentei a segunda parte do primeiro movimento do tríptico – Um Acontecimento em Três Movimentos ou Fragmentos de 1 Taquicardia no Rio de Janeiro. Os três movimentos nesta revelação eram o discurso do gênero, o discurso do amorpaixão e o discurso da carne. Era cruel. Era cru. Era a brutalidade do nascimento de uma vida. A força da dilatação e o surgimento da cabeça da nova vida fora da vagina. A luz ou a consciência de um novo Kleper que se ama e ama sem vergonha.

É a força simbólica da pós-escravidão manifesta na mitologia do salvador, o anticristo, o anticapital, o antifascista. O anjo de luz que nasce nos corações e salva a vida. Só ele é capaz de nos salvar. Nesta via de sentidos, ela tem algo a ver com virilidade, só no sentido mais potente e acolhedor desta energia. É a passagem da carta do Diabo que lembra a fertilidade que dá origem a vida. É a leitura das masculinidades e da união dos opostos. É meu processo de limpeza do masculino machista que enfiaram em mim.

http://blogs.correio24horas.com.br/mesalte/cu-e-lindo-me-faz-sair-do-pecado-diz-autor-de-polemica-exposicao/

A exposição “CU É LINDO”, do Kleper Reis, fica em cartaz até o dia 11 de agosto na MOSTRA DEVIRES, segunda a sexta, de 9h às 19h, e sábado, de 9h às 13h. Vai lá conferir!

 

CU É LINDO, CAPÍTULO 2: PONTO G – ROUBOS, TRAPAÇAS E PRIVATIZAÇÕES, VERSÍCULO 2: CUNONIZADOR

Ativismo, CU É LINDO, Cura Gay, Ponto G

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Ação Realizada durante o II Festival Multigênero de Arte – Bem Me Kuir | UERJ | Por Kleper Scarambone | Setembro de 2015

CU É LINDO, CAPÍTULO 1: GÊNESIS, VERSÍCULO 2: MEMÓRIAS INFANTIS E VERS. 4: 24 – PRESENTE OU ESCOLA

Cura Gay
Adriano 002

CU É LINDO, CAPÍTULO 1: GÊNESIS, VERSÍCULO 2: MEMÓRIAS INFANTIS | 1983 | Corumbá | MS | Foto: Arquivo Familiar

“Cheguei ao mundo e ao passo que fui me desenvolvendo, crescendo naturalmente, assim como o sol nasce todos os dias e a lua brilha no céu, manifestei modos de ser considerados inadequados para um menino. Falo da não correspondência entre o que se manifestava em mim e a expectativa sociocultural. Uma marca me foi imposta pela sociedade, o sexo masculino, que arde em minha pele até hoje, sem que eu tivesse a mínima chance de ser visto e ouvido. Jamais um menino poderia manifestar a energia feminina de modo tão fiel, tão verdadeiro. Faziam parte deste modo de ser, brincar com as meninas e me identificar com movimentos de corpo e vestes do gênero teoricamente oposto ao meu. Isto era uma verdadeira afronta aos valores morais, militares e religiosos.

O que aconteceu comigo durante minha infância foi um verdadeiro massacre, um genocídio interior, uma profunda devastação. Senti na pele a dor da violência, da exclusão e da submissão dos desejos. Todas as minhas relações de afetos e desejos que passavam pelo Cu estavam terminantemente proibidas. Ainda pior, me fizeram acreditar que tais manifestações evidenciavam uma doença ou o que existia de mais desprezível. Sobre isso percebo que existe uma terrível coerção social quando a manifestação da diversidade dos modos de ser se revela e uma trágica noção que afirma que todo o homossexual masculino deseja ser uma mulher. Noção totalmente equivocada, pois em muitos casos este desejo não existe e em outros não se nasce um homem que deseja ser mulher, porque simplesmente o que nasceu foi uma outra existência. Uma vida que se cria para além do binarismo de gênero.

A narrativa social dizia que eu era uma criança viada, um viado, um projeto de bicha, uma tentativa de mulher, uma mulherzinha, uma mariquinha e etc. Estas eram algumas das formas que eu era chamado pelas ruas, pelos corredores do colégio, pelo baleiro quando eu ia comprar um pirulito – as vezes pedir um pirulito era igual a pedir: “deixa eu chupar seu pau?” Em muitos momentos estes nomes quase viravam meu nome social.

Lembro especialmente de uma professora que me chamava de mariquinha, um ato de escárnio, uma vez que eu só queria brincar com as meninas, acho que eu tinha 9 anos. A escola era um dos piores lugares que eu poderia estar. Um dos maiores medos que eu tinha quando eu era criança, e adolescente também, um verdadeiro terror, era que meu nome caísse no número 24 na lista da chamada escolar, você já imaginou, caro leitor, o que isso significava para a minha existência em sala de aula?

Absolutamente, a escola foi um longo período de tortura e sofrimento. Meus afetos eram constantemente desqualificados e a minha intuição e expressão de criativa a todo momento sumariamente constrangidos. Se existe algo que a escola me ensinou, continuamente, foi a me separar de mim, a ter medo do outro e a mentir, para mim mesmo e para o outro, forja desejos.

A transmissão do saber estava fundamentada nos ensinamentos das leis da falsa natureza e da desconexão da corporeidade ou separação do corpo, da mente e dos sentimentos. São raízes longínquas que poderíamos iniciar falado da substituição dos deuses ctônicos e os mitos pelos deuses olímpicos e a filosofia, ou ainda, a concepção mecanicista de Descartes e Newton. Aqueles que são exímios construtores de pontes de saber ainda reclamariam o direito de falar sobre a ação colonizadora, o genocídio material e imaterial dos povos, principalmente dos povos originários desta terra e dos negros, visto que habitamos as terras do pau-brasil.”

“Intestino fino passarinho, as memórias de uma grande parte da infância… provocam dores nos ossos!”

Esse é um trecho das escritas do Capítulo 1 do processo criativo-curativo “CU É LINDO” que desenvolvo na Pós-graduação em Arteterapia e Processos de Criação.

CU É LINDO | EM DEFESA DE TODAS AS FAMÍLIAS

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CU É LINDO, CAPÍTULO 6: ATIVISMO, VERSÍCULO 2: EM DEFESA DE TODAS AS FAMÍLIAS

Em 24 de Setembro de 2015, foi aprovado o texto principal do projeto do Estatuto da Família pela comissão especial que o discute na câmara dos Deputados, a comissão aprovou o relatório por 17 votos favoráveis e 5 contrários. Neste texto é afirmada a noção que define família como a união entre homem e mulher.

União entre homem e mulher?

A diversidade cultural, a liberdade afetiva e a expressão dos saberes tradicionais foram mais uma vez atacadas covardemente pelo poder dos discursos hegemônicos com fortes tendências fascistas e teocráticas ou, ainda, a relação afetiva e inconstitucional da política nacional com o fundamentalismo religioso, também celebrado por ruralistas e pistoleiros.

Ocupam-se em disseminar a ideologia da exclusão e do genocídio amoroso promovendo uma guerra no qual a cultura do ódio, o gênero e a sexualidade ocupam um lugar central em seus movimentos internos e externos.

Neste momento, não me parece plausível considerar tal façanha, deste minúsculo-gigante exército sanguinário e colonizador do estar em vida, sem falar também de algumas de suas outras grandes façanhas: o extermínio dos povos negros, indígenas e dos pobres e a utilização do terrorismo e da coerção do Estado para retirar a potência da autodeterminação dos povos.

Tal noção de família evidência o assombro egoísmo da profunda relação da ação colonial, do universalismo científico, da perversão religiosa e da corrupção estatal.

Os sinalizadores das diferenças e desigualdades pontuam um estado de calamidade pública onde todos, sem exceção, estão mergulhados numa tragédia coletiva.

Onde está o Adriano Cor? Onde está o Herinaldo Vinicius Santana? Onde está Semião Fernandes Vilhalva do povo guarani-kaiowá?

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Cura gay – primeiro movimento

Sentimentalidades Rupestres
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CU É LINDO, CAPÍTULO 6: ATIVISMO, VERSÍCULO 1: O AMOR É UM ESTADO QUE SE MANIFESTA | 2015 |Madrugada na Lapa | RJ | Mão de uma menina que chora amor | Foto: Kleper Reis

C – Você não quer se secar?

U – (pulando) A chuva acabou e com ela foi a minha vontade de fugir, mas fico sempre sem saber… (passando a mão pelo corpo como quem quer se secar) acho que sempre tive um pensamento épico… repleto de honras, promessas, lembranças e histórias. (silêncio) Sinto uma força amorosa tão fecunda!

C – (olha singelo e sorriso) Posso ver no brilho dos teus olhos.

U – (tremendo de frio) Você vem comigo?

C – Pra…

U – Pro que der e vier! Com absoluta liberdade da palavra, até onde for possível a gente chegar.

C – (explodindo de medo e alegria, sorrindo muito)

U – É só o amor. Vamos falar do amor que brota sem pedir licença para nascer. Do amor potente que nem as plantas que nascem nas frestas dos muros e entre os paralelepípedos da rua. Daquele que mesmo sem a gente ver, nos sentimos bem em cantar.

C – Isso me faz forte!

U – Podemos pegar giz ou tijolo de construção e rabiscar as paredes com versos lindos e o chão com estrelas, bem ali onde a chuva apagou… (baixinho) acho que estou gostando de alguém!

C – (frenético) Quero.

U – Tenho giz colorido lá dentro e o tijolo a gente arranca um pedaço do muro.

C – (indo pegar o giz) Pega o tijolo que eu pego o giz. Onde?

U – Espera!? (se aproximando de C e um pouco tímido) Posso ver os seus olhos? (se aproximando ainda mais)

C – O que foi?

U – (quase sussurrando) Quero me ver em você e você em mim.

C – (com os hálitos quase se entrelaçando e olhares na mesma direção e com uma voz singela) O que você pensa sobre o amor? O que é pra você?

U – (em um súbito rompante de entusiasmo) Eu-nós-corpo se percebe amando.

C – Eu-nós-corpo?

U – O amor é um estado que se manifesta, o amor-paixão. Sentido de vida que simplesmente se manifesta na diversidade, nas infinitas possibilidades de estar e ser, na autopoieses… uma vida que se cria continuamente a si própria e em relação com o outro, seja ele animal, mineral ou vegetal. Uma vibração que emerge do ventre da humanidade e faz trepidar o corpo livre nas profundezas do ser, puro movimento. Não sei. Sinto. Não escolho. Me percebo amando. Simplesmente acontece.

C – (senta no batente da porta com ar de pensativo)

U – Eu me reconheço como um microuniverso, como uma subjetividade, um indivíduo com uma identidade. Sou protagonista de mim… tento ser. Isso tudo simultaneamente a noção de estar contido no universo. Por isso o nós. Eu sou você e você sou eu. Eu sou tudo e o tudo sou eu. É a tradução da experiência da epifania da unidade, do yoga, da energia cósmica universal. Junto a tudo isso o corpo, eu-corpo-alma, integrado e manifesto, na inter-relação de muitas consciências-inconsciências que juntas formam essa pele, olhos, lábios, sangue, pelos, suor, saliva, vísceras…

C – O amor é algo que acontece no todo visível e invisível, sem regras e morais, sem as noções de público e privado, sem dogmas religiosos, sem códigos de leis…

U – Sim. É sentimentalidade rupestre. É muito antigo. O amor pode ser encontrado em todos os vestígios, no fóssil!

(olham-se profundamente)

U – Pega o giz na estante amarela do último quarto. Depois pule a janela que você vai me encontrar.

(U corre em direção ao quintal e C corre para dentro da casa. U começa a quebrar um pedaço do muro e C fica parado olhando para U da janela)

C – (grita) Cuidado para você não se machucar.

U – (olha para C rindo e volta a quebrar o murro) O amor é um estado que se manifesta! O amor é um estado que se manifesta! O amor é um estado que se manifesta! O amor é um estado que se manifesta!

C – (pega o giz e pula com certa dificuldade a janela e derruba todo o giz no chão e cai)

U – (corre em direção a C) Você esta bem?

C – (gargalhando) Sim!

U – (se joga no chão e começa a gargalhar também)

C – (fica de pé e pega um giz amarelo e um branco corre para a parede e escreve: o amor é um estado que se manifesta)

U – (fica olhando e depois corre e escreve: C e U, juntos, é lindo!)

C – (nervoso) A paga isso! Apaga. Ninguém pode ver.

(U fica parado olhando para C. C anda em direção as escritas de U e começa a apagar. U abraça C)

C – (grita) Me solta.

U – (fala amoroso) A sociedade é trágica, mas ainda temos a oportunidade, com a força de nosso amor, de mudar o mundo.

(C chora nos braços de U)

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Dos muros onde lemos “cu é lindo”

Reverberação
CU É LINDO, CAPÍTULO 1: GÊNESIS, VERSÍCULO 3: Sentimentalidades Rupestres | Ação Multiplicadores | Rio de Janeiro

CU É LINDO, CAPÍTULO 1: GÊNESIS, VERSÍCULO 3: Sentimentalidades Rupestres | Ação Multiplicadores | Rio de Janeiro

“Finalmente, depois de séculos de recalque e aparições muito pontuais (refiro-me à clássica capa de “Todos os olhos”, de Tom Zé), o cu emerge com força na cena cultural brasileira. Dos muros onde lemos “cu é lindo” à “Polka do cu” de Tatuagem, filme de Hilton Lacerda, passando pela literatura de Hilda Hilst e por Cooking, o belo – e, dirão alguns, polêmico – vídeo de Tunga para a série Destricted, ele, o cu, está por toda parte. Isso para não mencionarmos certo movimento na política brasileira contemporânea que decidiu investir pesadamente na colonização de nossos cus, colocando-os, não poucas vezes, no centro dos debates que marcaram estas últimas eleições.”

“Apesar da onipresença do cu entre nós, os filósofos franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari destacam que o cu foi “o primeiro órgão a ser privatizado, removido do campo social”. E como tudo o que é violentamente privado da vida pública por longos períodos de tempo, o cu agora se insurge contra o sistema que o baniu. Liu-liu, personagem de uma micro-narrativa escrita por Hilda Hilst, por exemplo, é um sapo que, com muita pena do seu cu, que só olhava para o chão, informou-se e deu o seu jeito para receber um raio de sol no cu. Mas Liu-liu ficou divido. Seu cu, maravilhado com a beleza do mundo, pois sequer sabia da existência das borboletas, teve problemas sérios de auto-estima.”

Em http://www.ocluster.com.br/a-utopia-do-cu/, por Icaro Ferraz Vidal Junior

CURA GAY – primeiro movimento

Sentimentalidades Rupestres
CU É LINDO, CAPÍTULO 1: GÊNESIS, VERSÍCULO 3: Sentimentalidades Rupestres | 2013 | Junto ao projeto EU AMO Catumbi | RJ Foto: Igor Abreu

CU É LINDO, CAPÍTULO 1: GÊNESIS, VERSÍCULO 3: Sentimentalidades Rupestres | 2013 | Junto ao projeto EU AMO Catumbi | RJ | Foto: Igor Abreu

C – (firme) Pode começar.

U – (na posição de pantera negra) A fé na vitalidade. No que a força da vida tem de mais exuberante, ( se jogando na terra, milanesa) eu quero. Quero as fezes que aleitam a terra e as sementes germinando o novo amanhecer. Quero o mato verde, os frutos coloridos e as flores e as rosas que nascerem desta terra, bem celebradas, no estar em vida real, a união do fausto com o infausto. (dançando entre as plantas e arrancando uma rosa) Quero o transbordar do amor conato, criando estratégias de fuga do medo que paralisa os sonhos, do desespero que isola e da esperança que de tão romântica nunca se realiza, espera.

C – Como você pretende realizar isso?

U – (em pé comendo pétalas de rosas vermelhas) É preciso extrair potência da fertilidade do Cu para transformar os afetos tristes mais densos e sombrios em alegria, afeto artístico-político. Deixar as súbitas expressões interiores transformar-se em matéria concreta criativa. Alguns chamam isso de obra de arte, eu prefiro chamar de acontecimentos cênicos ou artesanato íntimo.

C – É muito sensível isso que você faz.

U – É trabalho de investigar a dor aliado ao ofício de tradutor-artesão com fortes características de inventor. É preciso força, resistência e determinação para transmutar o ódio em amor!

C – (correndo para a varanda) Sai da chuva!

U – (sai correndo em direção a rua)

(Chuva forte)

Projeto CU É LINDO

Cura Gay

hasteamento

O processo criativo “CU É LINDO” foi iniciado em 2011 a partir das reflexões surgidas durante a realização da “Trilogia Venha Me Amar” (2008/2011). Bem como da potência da impossibilidade de deixar de falar sobre a abjeção do Cu, do silêncio histórico da homofobia, da moral social, do fundamentalismo religioso e da ocupação das ruas através da linguagem da performance e da pichação enquanto arte política e curativa.

No início de 2012, o projeto “CU É LINDO” ganhou as ruas na proposição da série de grafismos urbanos intitulada “Sentimentalidades Rupestres”. Nesta via de sentidos, a pichação “CU É LINDO” principiou por se tratar do nome do projeto e do foco do debate que estava sendo proposto à sociedade. Como fundamento desta ação e força de legitimidade enquanto arte e veículo de comunicação político/artístico lembramos da arte rupestre. Desde sempre, as paredes, muros e pedras foram suporte de expressão de sentimentos, registro histórico e comunicação. Assim, todos nós, semelhantes e descendentes desta mesma espécie, partilhamos desta memória social, artística e política. Ao longo dos milênios, vimos esta pratica ganhar vários contornos desde os egípcios, os povos pré-colombianos e, nos dias atuais, a pichação.

A pichação “CU É LINDO” fez enorme sucesso vindo a ganhar admiradores e parceiros de luta. Foi o surgimento dos multiplicadores, pessoas que espontaneamente começaram a replicar a pichação em questão, sendo para mim motivo de forte alegria e comemoração. Exceto alguns, que de forma extremamente capital tentaram privatizar os meus processos criativos, memórias afetivas e ideias teóricas. Também é imprescindível frisar que este processo criativo teve inúmeros afetos criativos e políticos, meus queridxs amigxs, que sem eles certamente nada teria acontecido. São muitos! Neste aspecto, desenvolvo uma estratégia de produção ao qual chamo de Mutirão Infantaria Amorosa, uma realizadora de projetos e sonhos.

Paralelamente a estes movimentos, também comecei a propor acontecimentos performáticos no espaço da cidade pondo em xeque a moral vigente. Neste momento, foi iniciada a serie performática “CU É LINDO”. Tais acontecimentos tem como centro do debate o Cu nas relações da cultura do ódio aos corpos dissidentes de sexo e de gênero, do fundamentalismo religioso, da negligência e exclusão do estado brasileiro e do tabu do Cu. Percebo, no meu desenvolvimento histórico, que a abjeção ao Cu está diretamente ligada a expressão da afetividade e ao exercício do erótico da homossexualidade.

Por fim, “CU É LINDO” é um projeto multiartístico em tecnicolor que revela meu processo de cura das violências e espancamentos que sofri ao longo de minha vida e uma homenagem aos sobreviventes e à memória dos que foram assassinados pela Homofobia, Lesbofobia e Transfobia.

A cultura do ódio aos corpos dissidentes de sexo e de gênero, o fundamentalismo religioso, a negligência e a exclusão do estado brasileiro e o tabu do Cu MATAM, mas também fazem nascer profundos valores criativos!

Uma ode ao amor!

CU É LINDO no II Seminário Desfazendo o Gênero

Desfazendo o Gênero
cu é lindo grupão

CU É LINDO, CAPÍTULO 3: A CURA GAY, VERSÍCULO 10: CULETIVO | Salvador | 2015 | Foto: Susy Shock

A visibilidade do Cu floresce naturalmente bela. É lindo!

Voltar a salvador após 5 anos foi uma vivência fantástica. Ainda mais por se tratar de um momento muito especial: apresentar o projeto “CU É LINDO” na cidade que me ensinou muito sobre arte e vida. Foi em salvador que aprendi a dobrar a esquina e a tocar em meu Cu sem vergonha. Foi lá, nesta terra, que o processo do “CU É LINDO” iniciou, quando conheci Adélia Prado e fiz a oficina de Bufonaria do Sérgio Bustamante, o Palhaço Bicudo, lá pelos anos de 2004, mais ou menos.

Foi simplesmente incrível realizar esta ação! Fazia muito tempo que desejava conseguir fazer esta foto, o “CU É LINDO” CUletivol!!! Um lindo movimento performático. Sinceros agradecimentos a Diana Junyent por tornar este sonho uma realidade! Aos meus grandes e queridos irmãos: Matheus, Pêdra, Cíntia, Gilda, Elton Panamby, Bruno, Guilherme, Camila, Nathalia e mais um monte de queridxs!!! Vocês são phoda!!!

“CU É LINDO” é um projeto multiartístico em tecnicolor que revela meu processo de cura das violências e espancamentos que sofri ao longo de minha vida e uma homenagem aos sobreviventes e à memória dos que foram assassinados pela Homofobia, Lesbofobia e Transfobia.

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Ação realizada durante a oficina  de pornoterrorismo oferecida por

Diana Junyent (http://pornoterrorismo.com/).