MBL e a exposição do “Cú é Lindo”

CU É LINDO, Texto

Texto Rafael Siqueira de Guimarães

“Entraram na exposição “Cú é lindo”, de Kleper Reis, no Instituto Goethe, em Salvador, e fizeram imagens em vídeo. Mais uma vez isso esta acontecendo. Estava expressamente proibido na entrada, assim como a indicação de idade, 18 anos. Isto foi parar num programa de péssima qualidade. O MBL foi à porta da exposição, fez com que o Goethe a fechasse por um dia. Isso tem nome, ódio.

O trabalho artístico, organizado cuidadosamente pelo próprio autor, é exatamente sobre isso. Sobre uma vida que envolveu espancamentos, agressões midiáticas, plágio, sobre muitos anos de uma vida criando obras. Trata-se de um projeto de CUra. Sobre como, desde criança, a dissidência sexual de Kleper fazia parte de sua vida. O artista já é um exilado há muito tempo, seu deslocamento pelo Brasil tem, em muitas medidas, a ver com sua obra – e sua vida.

A exposição é sobre o amor. Um amor que insiste, nesses tempos odiosos, em permanecer vivo. Ele sabe disso, passou por exclusões no Rio de Janeiro, já houve todo um movimento midiático em Salvador, por conta de sua oficina no Desfazendo Gênero, em 2015. Ele continua. Continua porque acredita que a cura está no mesmo lugar, no modo como podemos reelaborar, no corpo, criando outras imagens, a abjeção às dissidências. E não tem nada de ingênuo nisso, pelo contrário. É uma crença.

Desde as imagens de ficar desenhando no canto da parede, porque sair de casa lhe era impossível, graças ao medo, até a prática de yoga que o artista incorpora para criar outros mundos possíveis, outras imagens. Amorosas, alegres, curativas. É um itinerário de fortalecimento. É muito generoso da parte dele compartilhar conosco, que também somos dissidentes, o seu processo. Me toca muito, me faz pensar sobre como não estamos livres de revivermos nossos traumas todos os dias de nossa r-existência. De como podem haver modos muitos de elaborarmos isso. De trocar. De produzirmos alegrias.”

Acesse o link e veja a matéria completa:

http://justificando.cartacapital.com.br/2018/07/24/mbl-e-a-exposicao-do-cu-e-lindo/

A exposição “CU É LINDO”, do Kleper Reis, fica em cartaz até o dia 11 de agosto na MOSTRA DEVIRES, segunda a sexta, de 9h às 19h, e sábado, de 9h às 13h. Vai lá conferir!

CU É LINDO, CAPÍTULO 2: PONTO G – ROUBOS, TRAPAÇAS E PRIVATIZAÇÕES, VERSÍCULO 2: CUNONIZADOR

Ativismo, CU É LINDO, Cura Gay, Ponto G

giphy

Ação Realizada durante o II Festival Multigênero de Arte – Bem Me Kuir | UERJ | Por Kleper Scarambone | Setembro de 2015

Reapropriação ou pelo fim da privatização das memórias afetivas

CU É LINDO
Arquivo facebook - CU É LINDO

Arquivo facebook – CU É LINDO


O projeto “CU É LINDO” é uma iniciativa proposta pelo performer Kleper Reis, iniciada em 2012 na cidade do Rio de Janeiro. Radicada nas recordações e memórias de sua vida. Também celebra os tempos de adolescência quando conheceu a poetiza Adélia Prado e sua obra, “Objeto de Amor”. Desde 2012 este vem realizando ações e procedimentos com vistas a apresentação da “Série performática CU É LINDO” através da exposição dos registros destes trabalhos, fotoperformances e novas ações performáticas. Do mesmo modo, é tema de estudo que compõe a escrita de suas memórias afetivas e processos curativos na monografia da pós-graduação em arteterapia e processos de criação na Universidade Veiga de Almeida. Esta será defendida em 2015. Portanto, trata-se de um projeto de pesquisa que visa a superação, a regeneração das marcas, dos traumas e dos pânicos provocados pela cultura do ódio e da homofobia na história de vida do performe em questão e de muitos outrxs. Assim afirmamos que insultamos a exploração do outro (seja ele animal, vegetal ou mineral), a competição, a repressão, a apropriação perversa, o roubo, as trapaças e o desejo de tirar vantagens.
“CU É LINDO” é uma ode a metamorfose que constrói o novo; a composição do mundo a partir de ações coletivas, fruto da união de singularidades humanas com o intuito de partilhar a movimentação, o balanço necessário para a geração de outra vida social, o desejo de alteridade e a conquista da liberdade criativa e da autopoieses. Um convite a criação de alianças, laços afetivos, solidariedade e cooperação.

 

Referências primordiais: “Memórias Afetivas de Uma Bicha Afetada” de Kleper Reis, “Obejeto de Amor” de Adélia Prado e “Ame e Dê Vexame” de Roberto Freire.

Posso, com amorosidade, rebelar-me?

CU É LINDO
Paredes da casa 24|RJ

Paredes da casa 24/RJ | 2015


CU É LINDO é uma arte política que tem como finalidade dar visibilidade a uma questão urgente que reflete a miséria afetiva no convívio social. Iniciado em 2012, na cidade do Rio de Janeiro, segue sendo desenvolvido até os dias atuais. O Brasil é campeão mundial em crimes de ódio, homofobia, lesbofobia e transfobia, que estão diretamente ligados ao desprezo e abjeção do Cu. Falo do ato, do estado ou da condição do Cu em nossa sociedade que revela alto grau de baixeza, torpeza, degradação que se impõe aos corpos que não estão orientados a heterossexualidade como regime político. Por que este órgão sexual foi colocado na história do ocidente como algo sujo e que não merece ser apreciado? Por que o direito a afirmação do prazer e da beleza do Cu suscita tantos incômodos? Por que ficamos chocados e menosprezamos o outro? Por que excluímos o outro do convívio social e familiar? Por que negamos ao outro o direito de expressar a sua integridade amorosa? Por que violentamos o outro espancando-o fisicamente e psicologicamente nas ruas e no convívio familiar? Podemos falar da cultura do ódio, homofobia, lesbofobia e transfobia, que fica escondida entre os dentes daqueles que acham que tolerar o outro é dar-lhe como única alternativa a segregação, a marginalidade e a sombra social e familiar?

CU É LINDO é o grito afetado de uma bicha. Uma resposta amorosa a sanha bestial e ignóbil de uma sociedade fincada em valores perversos e moralismos genocidas. Também é uma arte de repúdio a todas as violências físicas e psicológicas sofridas por aqueles que não são eleitos belos por esta “tentativa de sociedade”. Do mesmo modo, uma homenagem a todos os que foram violados e assassinados vítimas de homofobia, lesbofobia e transfobia. É uma oblação fincada na espiritualidade, na Arteterapia, na arte da Performance, no espaço-tempo radicalmente atual, no Objeto de Amor de Adélia Prado e, principalmente, nas memórias afetivas de uma bicha afetada.

Pela livre manifestação afetiva!

Pela livre manifestação da expressão criativa!

Com o coração profundamente amoroso e acolhedor. Na luta pelo dia em que não precisaremos mais fazer o que fazemos para conquistar dignidade e respeito.