Projeto CU É LINDO

Cura Gay
GEDSC DIGITAL CAMERA

Rio de Janeiro | 07 de Setembro de 2012 | CU É LINDO, CAPÍTULO 3: A CURA GAY, VERSÍCULO 2: O HASTEAMENTO DA BANDEIRA OU VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE A LUTA! | Foto: Ângela Bonolo

O processo criativo “CU É LINDO” foi iniciado em 2011 a partir das reflexões surgidas durante a realização da “Trilogia Venha Me Amar” (2008/2011). Bem como da potência da impossibilidade de deixar de falar sobre a abjeção do Cu, do silêncio histórico da homofobia, da moral social, do fundamentalismo religioso e da ocupação das ruas através da linguagem da performance e da pichação enquanto arte política e curativa.

No início de 2012, o projeto “CU É LINDO” ganhou as ruas na proposição da série de grafismos urbanos intitulada “Sentimentalidades Rupestres”. Nesta via de sentidos, a pichação “CU É LINDO” principiou por se tratar do nome do projeto e do foco do debate que estava sendo proposto à sociedade. Como fundamento desta ação e força de legitimidade enquanto arte e veículo de comunicação político/artístico lembramos da arte rupestre. Desde sempre, as paredes, muros e pedras foram suporte de expressão de sentimentos, registro histórico e comunicação. Assim, todos nós, semelhantes e descendentes desta mesma espécie, partilhamos desta memória social, artística e política. Ao longo dos milênios, vimos esta pratica ganhar vários contornos desde os egípcios, os povos pré-colombianos e, nos dias atuais, a pichação.

A pichação “CU É LINDO” fez enorme sucesso vindo a ganhar admiradores e parceiros de luta. Foi o surgimento dos multiplicadores, pessoas que espontaneamente começaram a replicar a pichação em questão, sendo para mim motivo de forte alegria e comemoração. Exceto alguns, que de forma extremamente capital tentaram privatizar os meus processos criativos, memórias afetivas e ideias teóricas. Também é imprescindível frisar que este processo criativo teve inúmeros afetos criativos e políticos, meus queridxs amigxs, que sem eles certamente nada teria acontecido. São muitos! Neste aspecto, desenvolvo uma estratégia de produção ao qual chamo de Mutirão Infantaria Amorosa, uma realizadora de projetos e sonhos.

Paralelamente a estes movimentos, também comecei a propor acontecimentos performáticos no espaço da cidade pondo em xeque a moral vigente. Neste momento, foi iniciada a serie performática “CU É LINDO”. Tais acontecimentos tem como centro do debate o Cu nas relações da cultura do ódio aos corpos dissidentes de sexo e de gênero, do fundamentalismo religioso, da negligência e exclusão do estado brasileiro e do tabu do Cu. Percebo, no meu desenvolvimento histórico, que a abjeção ao Cu está diretamente ligada a expressão da afetividade e ao exercício do erótico da homossexualidade.

Por fim, “CU É LINDO” é um projeto multiartístico em tecnicolor que revela meu processo de cura das violências e espancamentos que sofri ao longo de minha vida e uma homenagem aos sobreviventes e à memória dos que foram assassinados pela Homofobia, Lesbofobia e Transfobia.

A cultura do ódio aos corpos dissidentes de sexo e de gênero, o fundamentalismo religioso, a negligência e a exclusão do estado brasileiro e o tabu do Cu MATAM, mas também fazem nascer profundos valores criativos!

Uma ode ao amor!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s