Posso, com amorosidade, rebelar-me?

CU É LINDO
Paredes da casa 24|RJ

Paredes da casa 24/RJ | 2015


CU É LINDO é uma arte política que tem como finalidade dar visibilidade a uma questão urgente que reflete a miséria afetiva no convívio social. Iniciado em 2012, na cidade do Rio de Janeiro, segue sendo desenvolvido até os dias atuais. O Brasil é campeão mundial em crimes de ódio, homofobia, lesbofobia e transfobia, que estão diretamente ligados ao desprezo e abjeção do Cu. Falo do ato, do estado ou da condição do Cu em nossa sociedade que revela alto grau de baixeza, torpeza, degradação que se impõe aos corpos que não estão orientados a heterossexualidade como regime político. Por que este órgão sexual foi colocado na história do ocidente como algo sujo e que não merece ser apreciado? Por que o direito a afirmação do prazer e da beleza do Cu suscita tantos incômodos? Por que ficamos chocados e menosprezamos o outro? Por que excluímos o outro do convívio social e familiar? Por que negamos ao outro o direito de expressar a sua integridade amorosa? Por que violentamos o outro espancando-o fisicamente e psicologicamente nas ruas e no convívio familiar? Podemos falar da cultura do ódio, homofobia, lesbofobia e transfobia, que fica escondida entre os dentes daqueles que acham que tolerar o outro é dar-lhe como única alternativa a segregação, a marginalidade e a sombra social e familiar?

CU É LINDO é o grito afetado de uma bicha. Uma resposta amorosa a sanha bestial e ignóbil de uma sociedade fincada em valores perversos e moralismos genocidas. Também é uma arte de repúdio a todas as violências físicas e psicológicas sofridas por aqueles que não são eleitos belos por esta “tentativa de sociedade”. Do mesmo modo, uma homenagem a todos os que foram violados e assassinados vítimas de homofobia, lesbofobia e transfobia. É uma oblação fincada na espiritualidade, na Arteterapia, na arte da Performance, no espaço-tempo radicalmente atual, no Objeto de Amor de Adélia Prado e, principalmente, nas memórias afetivas de uma bicha afetada.

Pela livre manifestação afetiva!

Pela livre manifestação da expressão criativa!

Com o coração profundamente amoroso e acolhedor. Na luta pelo dia em que não precisaremos mais fazer o que fazemos para conquistar dignidade e respeito.

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